O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro iniciou, nesta quinta-feira (21/05), o curso “Introdução às Ferramentas de Análise Digital – 4ª edição”. Promovido pelo Instituto de Educação Roberto Bernardes Barroso (IERBB/MPRJ), em parceria com a Coordenadoria de Inteligência da Investigação (CI2/MPRJ), a capacitação, voltada à prática forense de dispositivos móveis, tem como objetivo apresentar conceitos introdutórios e aplicações práticas relacionadas à análise de dados e à inteligência da investigação, com enfoque no uso de ferramentas digitais no contexto institucional.
A capacitação, coordenada pelos promotores de Justiça Francisco Cardoso e Murilo Bustamante, coordenador e subcoordenador de Inteligência da Investigação (CI2/MPRJ), e voltado para membros e assessores jurídicos do MPRJ, busca habilitar profissionais da instituição para o uso efetivo dos relatórios de extração de dados digitais, a partir do entendimento das funcionalidades das ferramentas e da análise correta do material obtido. O projeto tem foco na ampliação do reconhecimento da importância do uso correto de tais ferramentas para a efetividade das atividades do Ministério Público.
O promotor de Justiça Alexandre Joppert, vice-diretor do IERBB/MPRJ, fez a abertura do curso e ressaltou a importância da iniciativa voltada ao aperfeiçoamento de membros da instituição para um tema tão relevante nos dias atuais. Na sequência, o promotor Murilo Bustamante, destacou o papel essencial da Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC/MPRJ), e frisou que cursos como o ministrado facilitam as demandas da divisão.
Marcos Vieira Farias, diretor da Divisão Especial de Inteligência Cibernética (DEIC/MPRJ), conduziu a capacitação. Inicialmente, explicou os conceitos de forense digital, técnicas de identificação, coleta, preservação e análise de dados digitais, que servem como evidências e podem auxiliar na reconstrução de eventos para processos investigativos. Ele enfatizou os princípios fundamentais da técnica, que deve preservar e documentar dados originais relevantes para a investigação e que poderão ser acessados e verificados futuramente.
O palestrante apresentou quais dados podem ser extraídos do dispositivo durante o processo, como o registro de chamadas, mensagens e contatos, histórico de localização, de pesquisa, navegação e conexões, arquivos e registros de aplicativos e redes sociais. Além disso, reforçou a necessidade de fazer a correta identificação e descrição do aparelho, registrando qual é o modelo, o número de série e o IMEI quando for possível.
Marcos também dissertou sobre os desafios da forense mobile, como os recursos de segurança dos dispositivos, a volatilidade dos dados, a possibilidade de acessar o aparelho de forma remota e o armazenamento em nuvem. A partir dos obstáculos que podem ser encontrados durante a análise, ele frisou a importância de estar capacitado e ter domínio das ferramentas e das técnicas. Ainda chamou atenção para possíveis impactos operacionais, como acondicionamento e manuseio inadequados que são capazes de gerar danos, e explicou como tais riscos podem ser minimizados.
Na sequência, o diretor da DEIC/MPRJ detalhou como o processo é executado. Primeiro, é feita a coleta, isolando a comunicação do dispositivo, identificando e armazenando a evidência de forma correta. Depois, é feito o exame do aparelho, extraindo, filtrando e documentando os dados. Na sequência, é realizada a análise do que foi obtido, fazendo a identificação do que é relevante para a investigação, como pessoas envolvidas, locais e a reconstrução da cena. Por fim, há a emissão de relatórios a partir dos resultados obtidos e anexados como evidências.
Após a exposição, o palestrante conduziu uma atividade prática. Os participantes puderam aprender como funciona um dos aplicativos utilizados durante a forense digital. A capacitação termina nesta sexta-feira (22/05). A próxima turma tem aulas previstas para a primeira semana de setembro.
Por MPRJ